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Para pais

Meu filho não consegue focar.

Antes de pensar em rótulo, vale entender o que pode estar por trás.

Esta é uma das queixas mais comuns no consultório. O adolescente senta para estudar, abre o caderno, e em poucos minutos está em outro lugar. Mas dificuldade de foco tem várias origens. Nem toda dificuldade é TDAH, e moralizar o sintoma como preguiça também não ajuda.

O que pode estar acontecendo

A primeira pergunta clínica não é se o seu filho tem TDAH. É por que ele não está conseguindo sustentar atenção neste momento, neste contexto, com esta tarefa. As respostas costumam ser várias, ao mesmo tempo.

Sono insuficiente

Adolescentes precisam, em média, de oito a dez horas de sono. Dormir tarde, acordar cedo para a escola e compensar nos fins de semana cria um déficit crônico que afeta atenção, memória e humor. Antes de pensar em qualquer diagnóstico, vale olhar para o sono.

Telas e estímulo rápido

Vídeo curto, jogo competitivo e rede social treinam o cérebro a esperar recompensa imediata. Tarefa escolar não entrega isso. O resultado é uma sensação de tédio quase física diante do estudo, mesmo em adolescentes sem TDAH.

Ansiedade

Quando o adolescente está preocupado, a cabeça fica ocupada por dentro. O foco se desloca para o medo, não para a matéria. Pode parecer desatenção, mas a raiz é outra.

Método de estudo pouco eficaz

Ler e reler, passar marca-texto, estudar sem pausa, estudar com o celular do lado. Esses padrões cansam mais e fixam menos. Às vezes, o que parece falta de foco é falta de método.

Fase da adolescência

O cérebro adolescente está em maturação, sobretudo as áreas de planejamento e controle de impulso. Em parte dos casos, o que está difícil hoje será diferente em alguns anos. Isso não significa esperar parado, mas significa não pré-julgar o quadro.

Quando pensar em TDAH

Quando a dificuldade de atenção é persistente, aparece desde a infância, está presente em mais de um contexto, como casa e escola, e gera prejuízo importante. O DSM-5-TR descreve critérios específicos, e a avaliação clínica é o que diferencia TDAH de outras explicações.

O que costuma ajudar antes da consulta

Regularizar o sono, reduzir tela na hora do estudo, dividir a tarefa em blocos curtos e combinar pausas previsíveis. Em parte dos casos, isso já melhora muito. Quando não melhora, o passo seguinte é avaliação.

Quando procurar avaliação

Quando a queixa é persistente, repetida em vários contextos, atrapalha escola, sono ou autoestima, e quando o esforço do adolescente parece muito maior do que o resultado.

Perguntas frequentes.

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